30/03/2011

Companheiros num puzzle em construção

Os alunos do sexto ano, turma F, da Escola Básica com Segundo e Terceiro Ciclos Professor Agostinho Silva, situada em Casal de Cambra, concelho de Sintra, em Portugal, participaram durante algumas semanas, nas aulas de Formação Cívica, num projecto intitulado Conectando Mundos – Um mundo em mudança, um puzzle em construção! Conectando Mundos «é uma plataforma multilingue, onde alunos e professores/as participam em sete línguas diferentes. Este é um espaço que proporciona: a tomada de consciência de diferentes realidades; a participação num intercâmbio cultural; o respeito face às diferenças individuais e o conhecimento da diversidade cultural.» Através do projecto os alunos tiveram oportunidade de reflectir sobre a «construção da cidadania numa sociedade intercultural, fomentando acções e condutas individuais e colectivas transformadoras, de modo a contribuir para a construção de uma sociedade equitativa, diversa e justa.» Um dos objectivos deste projecto, que se centra no trabalho cooperativo, é que os alunos «tomem contacto com a diversidade social, cultural e de género e a reconheçam como uma riqueza. E que sejam capazes de debater e encontrar pontos em comum, tanto com os companheiros e companheiras da Internet, como com os da sua própria turma.» Assim sendo, vão tomando decisões em conjunto e têm sempre a oportunidade de verificar o que os outros alunos das outras escolas estão a fazer, pois existe um espaço onde se pode criar um blog, para dar conhecimento do que se vai fazendo, à medida que o tempo avança. O projecto tem cinco fases: a primeira de sete a treze de Fevereiro, a segunda de catorze a vinte e sete de Fevereiro, a terceira de vinte e oito a treze de Março, a quarta de catorze a vinte de Março, a quinta a partir do dia vinte e um do mesmo mês, não sendo um fim mas um começo… Na primeira fase, os alunos ficaram a conhecer a história de vampiros e lobisomens (que vai tendo continuidade ao longo do jogo) e depois conheceram a sua tarefa: entrevistar algumas pessoas e colocar a informação na plataforma para que todas as equipas participantes as ficassem a conhecer. Na segunda fase, escolheram as personagens que queriam para preparar a dramatização. Durante a escolha de personagens, os alunos tentaram que fossem diferentes para tornar o seu trabalho mais enriquecedor. Na terceira fase, prepararam a dramatização e jogaram. Nesta fase, havia mestres e personagens que desempenharam os seus papéis para tornar o jogo mais real e divertido. Na quarta fase, esta em que nos encontramos, os alunos irão contar a sua experiência e ainda não sabem o que os espera na fase final. De seguida, os alunos irão, então, responder a algumas questões que foram apresentadas na quarta fase. Como se sentiram ao longo do jogo? Nós estivemos sempre curiosos com o que viria a seguir. Pensávamos sempre que iríamos representar o papel de vampiros ou lobisomens e no final, se pensarmos bem, não andámos muito longe dessa realidade. Na nossa sociedade, quando alguém viaja para um país diferente, onde não domina a língua local, tem dificuldades em relacionar-se com as outras pessoas, isola-se e é mais difícil integrar-se na sociedade. Este jogo fez-nos pensar e olhar, com mais atenção, para o que está à nossa volta. Assim, ficámos a saber mais sobre o mundo que nos rodeia. Acham que há pessoas a viver a mesma situação que representaram no jogo? Por vezes, pensamos que não há pessoas a viver a situação que representámos no jogo, mas é cada vez mais comum acontecer isso, até porque as pessoas viajam para outros países à procura de melhores condições de vida. Às vezes, até no seu próprio país se sentem isoladas; por mudarem de casa; por não terem estudos para conseguir emprego; por não saberem onde se dirigir para tratar de documentos ou pedir ajuda; por ficarem desempregadas de um dia para o outro, sem estarem a contar com isso, etc. Na nossa turma, por exemplo, já chegaram desde o início do ano lectivo cinco alunos novos e um deles mal falava português, recém-chegado da Guiné-Bissau. A sua integração na turma não foi difícil, pois recebemos muito bem os novos colegas. Quando chegam, alguém fica responsável por lhe apresentar a escola, as normas de funcionamento, e todos os locais mais importantes como, por exemplo, bar, biblioteca, refeitório, secretaria, salas de aula, etc. No caso deste aluno da Guiné, a sua família mudou de residência, por razões económicas, e, por isso, foi transferido de escola. Entretanto, na fase da dramatização, chegou um aluno vindo do Brasil e também foi bem recebido, mas ainda se está a adaptar à turma e à escola. O que significa interculturalidade? Interculturalidade é, no fundo, um puzzle colectivo, construído por pessoas de diferentes culturas e de diferentes locais do mundo. Um puzzle em permanente construção e que se desenvolve todos os dias. É algo que impulsiona uma mudança permanente e que gera uma riqueza cultural, a que não podemos, nem devemos ficar indiferentes. Se pensarmos bem, desde os Descobrimentos, que o povo português, empreendedor, iniciou a globalização, interagindo com outras culturas, religiões e ideologias. Portanto, desde muito cedo que as pessoas se misturaram e se influenciaram, convivendo umas com as outras, partilhando experiências. Sabemos que temos de enfrentar o desafio da interculturalidade (de saber lidar com as diferentes culturas e saber conviver com elas), principalmente em momentos de crise, quando é mais fácil culpar o mais “fraco” pelo que se passa. Nestas ocasiões, as pessoas facilmente caem no desemprego, a solidariedade diminui e a violência e intolerância têm tendência a aumentar. Acham que a vossa turma, a escola, a cidade ou aldeia é intercultural? O nosso país, Portugal, a nossa cidade, Sintra, a nossa vila, Casal de Cambra, e a nossa turma, 6.º F, é bastante intercultural. Só para terem um exemplo, actualmente, somos vinte e seis alunos e muitos têm familiares a trabalhar no estrangeiro (alguns já foram ou são imigrantes em Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Brasil e Estados Unidos da América) ou são de descendência de imigrantes estrangeiros provenientes do Brasil, Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. No nosso Agrupamento existem cerca de mil e trezentos alunos, sendo a sua maioria de naturalidade portuguesa, mas também há estrangeiros, vindos de Cabo-Verde, Brasil, Guiné-Bissau, Angola, São Tomé e Príncipe e, recentemente, têm vindo a chegar, ainda, alunos do Paquistão, Roménia ou Ucrânia. Apesar da maioria dos alunos do Agrupamento serem de naturalidade portuguesa, gostaríamos de referir que muitos são filhos ou netos de imigrantes. Aliás, muitos de nós, alunos do 6.º F, somos exemplo disso. A nossa vila tem cerca de dez mil habitantes e naturalmente é bastante heterogénea, tendo população proveniente de vários locais do mundo. O que podemos fazer para que o seja? Pensem em acções que podem concretizar no vosso espaço que contribuam para a construção de uma sociedade intercultural. O lema do Agrupamento e da escola é “Uma escola para todos”, isto é, um local onde se vive a democracia, se aprende a ser intolerante contra as injustiças e se aprende a usar a palavra, de modo a pensar sobre o mundo e a intervir nele. Nós pensámos em criar uma associação, onde todos tenham um papel interventivo (activo), onde possamos trocar experiências e conhecer melhor a cultura de outros países, mas como não temos a certeza de conseguir atingir este objectivo, por questões de escassez de tempo, iremos começar por conhecer melhor a cultura e história dos países dos nossos familiares. Por outro lado, iremos convidar os nossos pais para falarem um pouco da(s) sua(s) experiência de vida noutros países do mundo. No final, iremos reflectir sobre esta experiência. Nós queremos viver numa sociedade mais justa e para isso todos nós, independente da cor, religião ou cultura, devemos dar o nosso contributo e não importa a idade, pode ser em qualquer idade: criança, adulto ou idoso. O nosso objectivo é sermos “sementes de um futuro melhor”, numa escola para todos, onde possamos aprender a ter e a desenvolver uma sociedade solidária e aberta, onde ocorra o respeito mútuo, entre pessoas de diferentes origens e culturas. Iremos estar mais atentos à injustiça e à desigualdade e tentaremos implementar a prática do respeito, da tolerância e da convivência plural na escola e isso começa no interior da própria turma. Tudo depende de nós para conseguirmos construir uma sociedade mais justa, diversa e solidária. Uma sociedade onde ocorra a igualdade de oportunidades e exista diálogo e participação de todos, pois “A lua anda devagar, mas atravessa o mundo” (provérbio africano). Para terem mais informações, poderão consultar o site do projecto: http://www.conectandomundos.org/pt ou o blog da nossa turma: http://red1214.conectandomundos.org/companheiros
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1 comentário:

Cristina Lameiras disse...

Parabéns ao 6ºF,pelo conhecimento das diversas realidades culturais, económicas, linguísticas, etc. Para sermos respeitados temos de saber respeitar os outros. Entretanto, permitam-me um pequeno reparo ao texto : Sintra é Vila e Concelho," não é cidade".
Continuação de Bons Estudos e Continuem a Partlhar as Vossas Experiências com a Comunidade.